Botticelli

“O Nascimento da Vênus” é uma obra de 1484 de Botticelli e se encontra em exibição na Galleria degli Uffizi em Florença (Para mim, a única coisa boa neste cidade). “Considerada a mais famosa criação de Botticelli. A deusa simboliza não o amor, mas o ideal de verdade.”

Parece que desde muito tempo as pessoas buscam a “Verdade”. Buscam, mas raramente querem enfrentá-la quando ela aparece. Raramente gostamos de encarar a verdade, pois ela não necessariamente vem do jeito que imageticamente projetamos. Muitas vezes a verdade é feia, é bruta, é dolorida. Por isto, acho que não buscamos a verdade, mas as versões - a nossa versão.

Este foi o assunto que encerrou minha aula da manhã. Começamos falando de segurança internacional, setores, processo de securitização e acabamos terminando discutindo a solidão das pessoas, as perguntas que nos afligem, a humanidade no mundo contemporâneo, a projeção do erro nos outros e não em nós mesmos.

Engraçado como que cada aula é um rascunho sem final pré-determinado. Cada aula é uma “caixinha de surpresas”, um script de ”vir a ser”.

Não falei a verdade (e nem tenho a pretensão de), mas viajei nas minhas teorias sobre o quanto vivemos em um mundo superlotado e mesmo assim as pessoas se sentem angustiadas, sozinhas; falei sobre o capitalismo, o hedonismo, a sociedade do consumo e de quanto as pessoas se sentem sem referência, abandonadas, objetos e não sujeitos; falei sobre o individualismo e ”fim” das ideologias. Ao fim e ao cabo, acabei “discutindo” com um aluno o próprio processo de dúvida e me lembrei de uma coisa que já ouvi várias vezes:

Como você quer encontrar as respostas certas (a “verdade”) se você parte de perguntas equivocadas?