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“Execução do Imperador maximiliano” é um obra de Manet que se encontra no acervo da Stadische Kunsthalle, Mannheim, Alemanha. “A força dramática desta tela está na completa ausência de retórica. Confrontado, mas diferente de Dois de Maio, de Goya, o quadro é trágico pela falta de sentimentos no mecânico assassínio de homens por homens.”
Havia dois anos que estava envolvido em outras atividades na escola que não necessariamente lecionar. Por dois anos, me envolvi em atividades burocráticas e administrativas e, por isto, estava dando pouca aula. Agora que retomei este caminho, voltei a rever aulas, estudar textos antigos, relembrar de coisas que sabia. Sou um especialista em “brutalidade humana”.
Lembrei o quanto me aprofundei na temática da guerra, da guerrilha, do terrorismo, das armas de destruição em massa. Lembrei dos casos que sabia, das atrocidades cometidas pelos homens, não só no passado (história) quanto no presente (política internacional).
Não são poucas pessoas que morrem por divergências políticas, por se apresentarem com visões de mundo diferente daqueles que estão no controle do status quo. Não foi raro, não é raro e não será raro.
Os recentes acontecimentos na Líbia, Egito, Iêmen, e outros tantos que não são noticiados, nos lembram que a “mecânica do assassínio” se torna mais e mais comum. Muitos não se importam, muitos regozijam com isto (lembrando de um documentário da BBC sobre Stálin que vi recentemente). Centenas de pessoas morrem o tempo inteiro por terem opinião. Não é coisa do passado, está bem na nossa cara.
Violência não parece ser um desvio social, parece ser parte inerente da nossa estrutura de convívio. Não parece ser uma exceção, mas sim uma regra. Nossa sociedade é violenta… e porquê?
Obra de Portinari denominada “Família de Retirantes”, que se encontra no Museu de Arte de São Paulo (óleo sobre madeira; 1944 – 1,92 X 1,81). “É o quadro culminante da série: nos rostos cansados, assombro e apatia já tomaram o lugar até dp medo e ansiedade.”
Quando se pensa nas mazelas sofridas pelo povo, seja este brasileiro ou não, o que se percebe é que a indignação vai até o limite da nossa própria comodidade, isto é, indignamos, às vezes manifestamos, chegamos até mesmo a exigir mudanças, eventualmente agimos, mas isto nunca vai além do nosso próprio conforto.
Rara são as pessoas que estão realmente dispostas a abandonar o que se tem ou sair de onde estão, suas zonas de conforto, para lutar contra as mazelas humanas. Exemplos existem, mas se imiscuem no mar de pessoas que são superficialmente tocadas pelo drama que a maioria vive. E estas pessoas, como eu, aplaudem iniciativas de gente que luta pelo conforto e bem estar dos outros, se empolgam, mas rapidamente voltam ao seu cotidiano auto-centrado.
Seria isto hipocrisia? Talvez não.
Hipocrisia seria eu discursar sobre isso e esconder que não queria perder minha casa porque alguém não a tem; dizer que me preocupo com a fome mundial, mas não querer eu mesmo passar fome; esconder que me divirto, mesmo sabendo que existem pessoas que estão tristes por aí… Isto seria hipocrisia.
Mesmo assim me pergunto o que aconteceu com o jovem revolucionário que queria mudar o mundo, acabar com suas mazelas, se voluntariar em zonas de guerra para ajudar as pessoas?
Por isto me lembrei do filme Edukators - me tornei o sujeito sequestrado. Educar se torna fácil porque muitas vezes é somente discursar sobre e não agir sobre. Por isto posso ser colérico ao denunciar a maldade, a desigualdade, encerrar minha aula, e nada mais fazer sobre o assunto.
Mas até quando vou continuar assim?
Obra de Renoir entitulada “Barcos a Vela em Argenteuil”, encontra-se npo acervo do Museu de Arte em Portland. “Mais um quadro de plenitude do impressionsimo: conjugação de pontos luminosos e coloridos para compor um todo indivisível e uno.”
A indivisibilidade e unicidade das coisas é algo que atrai meu interesse.
Quando estudava o xamanismo, li muita coisa sobre a unicidade da mãe-terra, da natureza e dos homens; quando estudava as filosofias orientais, aprendi que não há uma separação entre as divindades e nós mesmos, pois nós somos parte do divino; quando lia o ponto de mutação, me disseram que o novo paradigma é o da unicidade, o do holismo, que tudo e todos estavam interligados; recentemente, quando assistia o “Quem Somos Nós? Revisited”, parte da discussão gira em torno das escolhas frente às multiplicidades de opções em um sistema totalmente interconectado.
Ou seja, tudo indica, assim como percebeu Renoir em 1873 e 1874, que unicidade e indivisibilidade são mais lógicas e óbvias que o contrário.
Separamos as coisas, classificamos, inferimos juízos, atribuímos valores, hierarquizamos, selecionamos, abandonamos o que nos parece inferior, enaltecemos o nos parece superior e novamente separamos, classificamos… Grande parte do problema da humanidade está neste processo. Não percebemos a indivisibilidade e unicidade das coisas e, portanto, não percebemos que ela é parte de nós e nós somos parte dela.



