Portinari

 

Obra de Portinari denominada “Família de Retirantes”, que se encontra no Museu de Arte de São Paulo (óleo sobre madeira; 1944 – 1,92 X 1,81). “É o quadro culminante da série: nos rostos cansados, assombro e apatia já tomaram o lugar até dp medo e ansiedade.”

Quando se pensa nas mazelas sofridas pelo povo, seja este brasileiro ou não, o que se percebe é que a indignação vai até o limite da nossa própria comodidade, isto é, indignamos, às vezes manifestamos, chegamos até mesmo a exigir mudanças, eventualmente agimos, mas isto nunca vai além do nosso próprio conforto.

Rara são as pessoas que estão realmente dispostas a abandonar o que se tem ou sair de onde estão, suas zonas de conforto, para lutar contra as mazelas humanas. Exemplos existem, mas se imiscuem no mar de pessoas que são superficialmente tocadas pelo drama que a maioria vive. E estas pessoas, como eu, aplaudem iniciativas de gente que luta pelo conforto e bem estar dos outros, se empolgam, mas rapidamente voltam ao seu cotidiano auto-centrado. 

Seria isto hipocrisia? Talvez não.

Hipocrisia seria eu discursar sobre isso e esconder que não queria perder minha casa porque alguém não a tem; dizer que me preocupo com a fome mundial, mas não querer eu mesmo passar fome; esconder que me divirto, mesmo sabendo que existem pessoas que estão tristes por aí… Isto seria hipocrisia.

Mesmo assim me pergunto o que aconteceu com o jovem revolucionário que queria mudar o mundo, acabar com suas mazelas, se voluntariar em zonas de guerra para ajudar as pessoas?

Por isto me lembrei do filme Edukators - me tornei o sujeito sequestrado. Educar se torna fácil porque muitas vezes é somente discursar sobre e não agir sobre. Por isto posso ser colérico ao denunciar a maldade, a desigualdade, encerrar minha aula, e nada mais fazer sobre o assunto.

Mas até quando vou continuar assim?