“Execução do Imperador maximiliano” é um obra de Manet que se encontra no acervo da Stadische Kunsthalle, Mannheim, Alemanha. “A força dramática desta tela está na completa ausência de retórica. Confrontado, mas diferente de Dois de Maio, de Goya, o quadro é trágico pela falta de sentimentos no mecânico assassínio de homens por homens.”
Havia dois anos que estava envolvido em outras atividades na escola que não necessariamente lecionar. Por dois anos, me envolvi em atividades burocráticas e administrativas e, por isto, estava dando pouca aula. Agora que retomei este caminho, voltei a rever aulas, estudar textos antigos, relembrar de coisas que sabia. Sou um especialista em “brutalidade humana”.
Lembrei o quanto me aprofundei na temática da guerra, da guerrilha, do terrorismo, das armas de destruição em massa. Lembrei dos casos que sabia, das atrocidades cometidas pelos homens, não só no passado (história) quanto no presente (política internacional).
Não são poucas pessoas que morrem por divergências políticas, por se apresentarem com visões de mundo diferente daqueles que estão no controle do status quo. Não foi raro, não é raro e não será raro.
Os recentes acontecimentos na Líbia, Egito, Iêmen, e outros tantos que não são noticiados, nos lembram que a “mecânica do assassínio” se torna mais e mais comum. Muitos não se importam, muitos regozijam com isto (lembrando de um documentário da BBC sobre Stálin que vi recentemente). Centenas de pessoas morrem o tempo inteiro por terem opinião. Não é coisa do passado, está bem na nossa cara.
Violência não parece ser um desvio social, parece ser parte inerente da nossa estrutura de convívio. Não parece ser uma exceção, mas sim uma regra. Nossa sociedade é violenta… e porquê?


2 comentários
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março 16, 2011 às 2:53 pm
Ester Xavier
Oi Professor,
gostaria de comentar esta obra: a força dramática da tela é realmente a ausência de sentimentos na ação mecânica do ato; esta retratação é impressionante mesmo num quadro impressionista, não acha?
Mas não compreendi o que quer dizer a completa ausência de retórica?
Abração,
Ester
março 16, 2011 às 11:11 pm
Rafael Ávila
Acho que quer dizer que não há nenhum engajamento político na obra, por isto, se diz que falta retórica.